quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Os sinos de Sáima

Toca o sino (?), cai o pano
neste nosso, fim de ano
fica o sangue mais maduro


Logo veio, o ano(s) novo
bem regado a mel e ovo
(e aquecido a gás butano)
a dançar um bom kuduro.


Com a métrica apurada
e a rima em ló versada
(a rimar adjectivada
do melhor que faz o povo)

sem fugir à luz que louvo
sem ficar presa no cano
bem untado com bom Douro.


Almas quentes em quentes camas
acordaram de pantanas
outras deram de abalada
(antes da hora marcada)

ainda assim nada de novo
neste novo ano profano
debutante nu e puro.


Pernas cruzam em Sangalhos,
nas ovelhas crescem galhos!
tão sozinhas, tão ufanas,
(cedo vão virar chanfanas)
largadas em vão na estrada
(também não levaram nada!
vão finar em agasalhos…)

não lhes dá perdão o povo
já não fazem mais um ano
não lhes sorri o futuro!


Folha seca cai do alto
desce as torres de cobalto
(doces lembranças do sul)
pinta o meu céu mais de azul.
Vem ó sol, abre-me os olhos
(trás saudades de frangalhos)
enche o meu rol, de ouro e ganas
(sem a verdade m’enganas)
contas feitas à alvorada
(mas que linda e bela fada!
mas que sorte do catanas!)

ainda assim nada de novo
neste novo ano mundano
embuchado com pão duro!


(Maca!smos dixit)

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